terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Causos de bambas : Conta paga na poesia


"Nascido em Pedra Branca, no Ceará, e morto em 1948, o poeta Leonardo Mota era um sujeito engraçadíssimo e tremendo bom caráter.


Num momento de pouquíssimo dinheiro (pindaíba braba) num hotel em Belo Horizonte, cujo dono chamava-se Maleta e vivia acossando-o, o poeta pôs-se a meditar ao longo da noite.


Na manhã seguinte, endividado até a alma e já sem desculpa pelo atraso do aluguel, deu ao senhorio o seguinte poema:


"Meu caro amigo Maleta

Tenha pena do poeta

Eu vejo a coisa tão preta

Que não posso ser profeta


Posso-lá dizer-lhe a data

Em que terei a dita

De pagar esta maldita

Conta que tanto me mata?


Não sou sujeito de fita

E por isso evito a rata

De dizer-lhe a data exata

Em que esta conta se quita


A paciência se esgota

Imagine a minha luta

Que vida filha da puta

Saudações, Leonardo Mota"


Ganhou mais um mês de prazo para saldar o aluguel".


Fonte: kauzusdibamba.blogspot.com

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