
"Nascido em Pedra Branca, no Ceará, e morto em 1948, o poeta Leonardo Mota era um sujeito engraçadíssimo e tremendo bom caráter.
Num momento de pouquíssimo dinheiro (pindaíba braba) num hotel em Belo Horizonte, cujo dono chamava-se Maleta e vivia acossando-o, o poeta pôs-se a meditar ao longo da noite.
Na manhã seguinte, endividado até a alma e já sem desculpa pelo atraso do aluguel, deu ao senhorio o seguinte poema:
"Meu caro amigo Maleta
Tenha pena do poeta
Eu vejo a coisa tão preta
Que não posso ser profeta
Posso-lá dizer-lhe a data
Em que terei a dita
De pagar esta maldita
Conta que tanto me mata?
Não sou sujeito de fita
E por isso evito a rata
De dizer-lhe a data exata
Em que esta conta se quita
A paciência se esgota
Imagine a minha luta
Que vida filha da puta
Saudações, Leonardo Mota"
Ganhou mais um mês de prazo para saldar o aluguel".
Fonte: kauzusdibamba.blogspot.com
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