quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Marketing Viral: Alerta sobre câncer de mama

Do blog "Bombou na web":

Os funcionários do hospital St. Vincent Medical Center, em Portland, nos Estados Unidos, fizeram uma bem-humorada campanha de alerta sobre o câncer de mama. De médico a faxineiros, todos dançaram nas dependências do hospital vestindo luvas cor-de-rosa. A música de fundo foi “Down”, do rapper Jay Sean. O vídeo foi visto mais de 2,5 milhões de vezes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Manifesto: Publicidade Infantil NÃO


Apoio e repasso o manifesto abaixo, retirado daqui:

MANIFESTO pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil

Em defesa dos diretos da infância, da Justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira, pessoas, organizações e entidades abaixo assinadas reafirmam a importância da proteção da criança frente aos apelos mercadológicos e pedem o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infantil.

A criança é hipervulnerável. Ainda está em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico. Por isso, não possui a totalidade das habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos.

Consideramos que a publicidade de produtos e serviços dirigidos à criança deveria ser voltada aos seus pais ou responsáveis, estes sim, com condições muito mais favoráveis de análise e discernimento. Acreditamos que a utilização da criança como meio para a venda de qualquer produto ou serviço constitui prática antiética e abusiva, principalmente quando se sabe que 27 milhões de crianças brasileiras vivem em condição de miséria e dificilmente têm atendidos os desejos despertados pelo marketing.

A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce.

Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.

Por tudo isso, pedimos, respeitosamente, àqueles que representam os Poderes da Nação que se comprometam com a infância brasileira e efetivamente promovam o fim da publicidade e da comunicação mercadológica voltada ao público menor de 12 anos de idade.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"I'm Yours" em duas versões

Primeiro, Jason Mraz e acompanhante numa versão de I'm yours cheia de reggae.

Depois, um garotinho de 5 anos fazendo arte com um ukelele, e já com mais de 4 milhões de assistentes. Incrível!



O futebol visto pela propaganda

Retirei do blog do Juca esta crítica muito boa da propaganda da Brahma:


No 'Estadão' de hoje:

Guerreiros ou brameiros

Ugo Giorgetti

Não sei por que ando pensando muito num comercial da Brahma que andou, ou anda, pelas televisões.

De fato ele não me sai da cabeça.

Fiquei tão intrigado que recorri até ao site do Clube de Criação de S.Paulo, onde não só o encontrei na íntegra, como tive a surpresa de encontrar também declarações do diretor de marketing da Brahma que, por sua vez, vieram aumentar meu assombro.

Queria, logo de início, pedir licença ao diretor da empresa para refutar uma de suas declarações.

Diz ele: "Com a campanha não queremos impor nada a ninguém. Queremos apenas ser porta-vozes do povo brasileiro."

Bem, meu porta-voz esse comercial não é, isso eu posso garantir.

E, espero, também não seja de boa parte do povo brasileiro.

Para quem não sabe, o comercial descreve a atitude ideal do torcedor brasileiro em relação à Copa do Mundo que se aproxima.

Consta de uma sucessão de imagens bélicas e melodramáticas, onde supostos torcedores carrancudos, gritam, choram e batem no peito.

Para deixar ainda mais claro a observadores menos atentos que o que se espera realmente são guerras e batalhas, mistura essas cenas com outras, fictícias, devidamente produzidas e filmadas, de um grande exército medieval em ação.

Se as imagens falam por si, o pior é o som.

Vozes jovens alucinadas urrando palavras de ordem num tom ameaçador, histérico, a lembrar manifestações das mais radicais e intolerantes agrupamentos que, infelizmente, existem no interior de qualquer sociedade.

Eu me permito transcrever algumas das frases vociferadas: "Eu queria que a seleção fosse para a Copa, como quem vai para uma batalha!" "Eu quero guerreiros!", "Vamos para a guerra juntos! 180 milhões de guerreiros!" "Sou guerreiro!" No final do filme, num golpe de surrealismo que faria as delícias de Luis Buñuel, o locutor, contrariando o tom anterior de toda a mensagem, recomenda sabiamente: "Beba com moderação."

O diretor de marketing da Brahma, no mesmo site do Clube de Criação continua: "A mensagem que queremos passar ao torcedor é que, além de ser a primeira marca brasileira a patrocinar oficialmente uma Copa do Mundo, o desejo da Brahma é despertar a atitude guerreira da seleção em todos os 190 milhões de brasileiros."

Com todo o respeito que tenho pela Brahma, cuja publicidade acompanho, até por dever de ofício, há mais de quarenta anos, e que me pareceu sempre celebrar a alegria e a irreverência popular, essas declarações inspiram alguns comentários.

O que eu espero da seleção é que jogue bola.

Acho que o que nos derrotou em 2006 não foi a falta de guerreiros, mas foi o Zidane, que não era exatamente um guerreiro.

Quanto aos 190 milhões, espero que honrem nossa tradição de saber perder, como fizemos em 1950 em pleno Maracanã, ou como fizemos em 1982, encantando o mundo.

O resto é apenas apelar para o que há de pior na sociedade brasileira.

Que é o que faz esse equivocado comercial dessa grande empresa.

E de repente, a razão pela qual penso nele com tanta freqüência me aparece claramente: é que, de certo modo, o confundo com as cenas reais que aconteceram no estádio do Curitiba domingo passado.

Ao revê-las me ocorre uma pergunta: os torcedores que, ensandecidos, fizeram o que fizeram no Paraná seriam "guerreiros" ou "brameiros"?

Ou os dois?

Infelizmente não foi possível alertá-los para invadirem e quebrarem tudo "com moderação".
 

Link para o Juca, aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Veríssimo às quintas


O Analista de Bagé


Luis Fernando Verissimo


Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

— O senhor quer que eu deite logo no divã?

— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

— Certo, certo. Eu...

— Aceita um mate?

— Um quê? Ah, não. Obrigado.

— Pos desembucha.

— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe

— Outro.

— Outro?

— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

— E o senhor acha...

— Eu acho uma pôca vergonha.

— Mas...

— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

~//~

Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.

— Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira... Mas acabou concordando.

— Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! . Qual é o causo?

— Bem — disse o home — é que nós tivemos um desentendimento...

— Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?

— Eu não meti a espora. Não é, meu bem?

— Não fala comigo!

— Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.

— Ela tem um problema de carência afetiva...

— Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.

— Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extraconjugais e...

— Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?

— Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?

— Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?

— O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.

— Mas isto tá ficando mais enrolado que lingüiça de venda. Te deita no pelego.

— Eu?

— Ela. Tu espera na salinha.


Texto extraído do livro "O gigolô das palavras", L&PM Editores – Porto Alegre, 1982, pág. 78.

Link para o site, aqui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Causos de bambas: Milagre de transformação


"Monsenhor Cançado depositou os olhos na leitoa defunta, corada e mordendo duas azeitonas. Nos frangos, assado um, ensopado o outro. No empadão de galinha caipira. E correu-lhe na espinha profunda o arrepio dos iluminados e a fé fortaleceu-se.


Mal agradeceu ao Senhor – pelo tempo da persignação, jamais pelo teor religioso – cravou o guardanapo na gola da batina e meteu boca à obra.


Nisso, o padre local detonou:


– Mas Monsenhor... Estamos na Quaresma e hoje é sexta-feira. Vossa Eminência vai comer carne?!


O pastor de almas levantou-se, fez as mãos postas, concentrou-se numa surda oração em latim, traçou no ar a figura de uma cruz sobre a leitoa e demais companheiros de feliz infortúnio e declarou:


– Te batizo dourado, linguado e garoupa!


Não deixou migalha".


Link para o site, aqui.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Belle and Sebastian - There's Too Much Love

Uma de minhas bandas preferidas, os escoceses do Belle and Sebastian, com clipes do Charlie Brown. Uma delícia!

Numa semana cheia de mensalões e picaretagens, é bom saber que "there's too much love" (existe amor demais).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nassif disseca os esquemas de corrupção


Luiz Nassif faz excelente análise das mazelas do modelo político e seus "propinodutos", mostrando os porquês, quem paga e já antecipando uma visão de futuro.

Vejam abaixo:

A corrupção intrínseca do modelo político
Do Último Segundo

Coluna Econômica – 04/12/2009

Os episódio envolvendo o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM) completa o quadro da política brasileira.

Arruda era um dos mais cotados para vice-presidente da chapa de José Serra. As empresas flagradas pela Polícia Federal com esquemas pesados de propina atuaram, antes, na Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria da Saúde – que no mesmo período (gestão Serra) terceirizou os serviços de radiologia para uma empresa sem tradição no ramo. Sem licitação.

Significa que o governo federal é diferente do governo do DF ou de São Paulo? Não, em absoluto. Significa que, no modelo político atual, todos são iguais.


Nos últimos anos, o jogo de financiamento de caixa 2 concentrou-se na área de serviços. Ainda há esquemas pesados nas obras físicas, entre as empreiteiras. Os Tribunais de Contas – especialmente o da União – , no entanto, desenvolveram metodologias aprimoradas para cercar os preços das obras físicas.

A corrupção enveredou, então, pela área de serviços e de sistemas – onde há grande dose de capital intelectual, de difícil aferição.


O jogo é curioso e repete, no inverso, o que ocorria antes da chegada do PT ao poder. Quem estava no Executivo – governo FHC – conseguia o financiamento de campanha em grandes contratos públicos ou nos programas de privatização. Ao PT restava os contratos com empresas de serviço municipais – lixo, ônibus etc.

Com o PT no poder, inverteu-se o jogo. O governo federal controla os grandes contratos e a oposição teve que partir para contratos miúdos que até agora só não merecem manchetes escandalosas por conta da blindagem proporcionada pela grande mídia.


O modelo de corrupção é simples. A figura central desse jogo é o que se poderia batizar de empreendedor de jogadas. É o sujeito que aprende como operar com o setor público e bancar as propinas políticas deixando o mínimo de rastro. Cada partido, em geral, trabalha com seus próprios operadores.

Depois, o know-how acumulado em um estado é exportado para estados vizinhos de governadores aliados.


As empresas envolvidas no escândalo da merenda escolar da Prefeitura de São Paulo, por exemplo, aparecem no governo Yeda Crusius. A CTIS, empresa de aluguel de equipamentos de informática, surgiu em Brasília no governo passado. Hoje em dia, leva a maioria dos contratos de São Paulo.

O mesmo aconteceu com a Positivo, que se transformou no maior montador de computadores do país graças aos contratos com a área pública. Em São Paulo, a Secretaria da Educação adquiriu notebooks Positivo para venda aos professores – com sistema Office incluído. Os preços não eram muito diferentes dos de varejo, adquiridos individualmente.


Nas áreas de limpeza e de terceirização de mão-de-obra estão dentre as prediletas para jogadas. Cada partido tem as empresas afilhadas cuja atuação, muitas vezes, é exportada para estados de aliados.

No caso de terceirização, por exemplo, a empresa que domina os contratos de São Paulo é a Tejofran. Em Brasilia, a Capital Federal.


Só que a tendência é tudo isso virar escândalo. O que obrigará, em breve, a mudanças no modelo político.


Link para o Nassif, aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Veríssimo às quintas - Os Moralistas



— Você pensou bem no que vai fazer, Paulo?

— Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás.

— Olhe lá, hein, rapaz...

Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher.

— Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas...

— Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano!

— Dê outra chance ao seu casamento, Paulo.

— A Margarida é uma ótima mulher.

— Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de freqüentar nossa casa por causa da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo.

— E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos.

— Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá.

— Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio!

— É. Mas quando acontece com um amigo...

— Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício.

— Pense nas crianças, Paulo. No trauma.

— Mas nós não temos filhos!

— Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo.

— Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada.

— Como, não muda nada?

— Muda tudo!

— Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo.

— Muda o quê?

— Bom, pra começar, você não vai poder mais freqüentar as nossas casas.

— As mulheres não vão tolerar.

— Você se transformará num pária social, Paulo.

— O quê?!

— Fora de brincadeira. Um reprobo.

— Puxa. Eu nunca pensei que vocês...

— Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo.

— Deixe pra decidir depois. Passado o verão.

— Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde.

— Está bem. Se vocês insistem...

Na saída, os três amigos conversam:

— Será que ele se convenceu?

— Acho que sim. Pelo menos vai adiar.

— E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol.

— Também, a idéia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora. Quando não dava mais para arranjar substituto.

— Os casados nunca terão um goleiro como ele.

— Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio.

— Vai agüentar a Margarida pelo resto da vida.

— Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve.

— Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros?

— Podia.

— Impensável.

— É.

— Outra coisa.

— O quê?

— Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e".

— Mas funcionou, não funcionou?



Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Animação: Pigeon: Impossible

Do site Bombou na web:

"Numa divertida animação, um agente secreto em começo de carreira se vê metido em confusão quando um pombo resolve roubar sua comida e fica preso à maleta. Acidentalmente, a ave aperta a ignição de um míssil nuclear contra a Rússia. No fim, a Rússia se salva. Já o pombo… O vídeo, divulgado no YouTube pelo próprio autor, o animador Lucas Martell, teve quase 600 mil acessos."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Causos de bambas : Conta paga na poesia


"Nascido em Pedra Branca, no Ceará, e morto em 1948, o poeta Leonardo Mota era um sujeito engraçadíssimo e tremendo bom caráter.


Num momento de pouquíssimo dinheiro (pindaíba braba) num hotel em Belo Horizonte, cujo dono chamava-se Maleta e vivia acossando-o, o poeta pôs-se a meditar ao longo da noite.


Na manhã seguinte, endividado até a alma e já sem desculpa pelo atraso do aluguel, deu ao senhorio o seguinte poema:


"Meu caro amigo Maleta

Tenha pena do poeta

Eu vejo a coisa tão preta

Que não posso ser profeta


Posso-lá dizer-lhe a data

Em que terei a dita

De pagar esta maldita

Conta que tanto me mata?


Não sou sujeito de fita

E por isso evito a rata

De dizer-lhe a data exata

Em que esta conta se quita


A paciência se esgota

Imagine a minha luta

Que vida filha da puta

Saudações, Leonardo Mota"


Ganhou mais um mês de prazo para saldar o aluguel".


Fonte: kauzusdibamba.blogspot.com

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Comercial Incríveis: Canal+ (França)

Não duvide nunca do poder de convencimento de uma estória bem contada. Ganha até de político pego com as mãos na grana...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Os Muppets cantam Bohemian Rhapsody

Melhor que isso, só o Queen!



Pescado do blog "Bombou na web".

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Veríssimo às quintas - Grande Edgar




Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

— Desculpe, deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

— Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

— Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

— Então me diga quem sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

— Pois é.

Ou:

— Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.

— Como cê tem passado?

— Bem, bem.

— Parece mentira.

— Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele esta falando:

—Pensei que você não fosse me reconhecer...

—O que é isso?!

—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

—E eu ia esquecer de você? Logo você?

—As pessoas mudam. Sei lá.

— Que idéia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

— É incrível como a gente perde contato.

— É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

— Cê tem visto alguém da velha turma?

— Só o Pontes.

— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

— Lembra do Croarê?

— Claro!

— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

— Rezende...

— Quem?

Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.

— Não tinha um Rezende na turma?

— Não me lembro.

— Devo esta confundindo.

Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.

Ele fala:

— Sabe que a Ritinha casou?

— Não!

— Casou.

— Com quem?

— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)

— Claro que conheci! Velho Bituca...

— Pois casaram.

É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.

— E não avisou nada?

— Bem...

— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?

— É que a gente perdeu contato e...

— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

— É...

— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.

— Desculpe, Edgar. É que...

— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. ( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)

— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

— Certo, Edgar. E desculpe, hein?

— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

— Isso.

— Reunir a velha turma.

— Certo.

— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...

— Bituca.

— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

— Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.


Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sakamoto "ensina" como ser um colunista da nossa imprensa


A ironia é um grande recurso para desnudar manipulações e más intenções. Veja que pérola a dica do Leonardo Sakamoto no seu blog, para aqueles que querem cavar seu espaço na nossa mídia "cabeça de planilha".

Esse desnudamento da mídia decrépita vai ajudar a criar uma sociedade bem mais crítica e informada, a benefício do coletivo, e não dos interesse menores daqueles que sempre abarcaram o poder. Quem viver, verá!

Curso de Jornalismo Prático: O manual do colunista

Agora que a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão caiu, o Blog do Sakamoto reforça o seu Curso de Jornalismo Prático. Já em sua terceira aula (a primeira e a segunda, sobre o Disk-Fonte: O Jornalismo Papagaio de Repetição, foram um sucesso), o Curso é elaborado em conjunto com amigos que são grandes repórteres e conhecem como ninguém o universo das redações. Para esta aula, um deles foi certeiro na análise do problema, criando um manual que será de grande utilidade aos recém-formados, mas também àqueles com mais quilometragem que querem “chegar lá”.

Quer virar colunista ou editorialista de jornalão impresso, de um telejornal noturno ou de uma revista semanal de grande circulação? Fácil. Basta seguir esse manual. Para cada tema polêmico da atualidade, há um repertório de cinco argumentos que devem ser repetidos ad nauseum, sem margem para hesitação. Pintou o tema, escolha um dos cinco argumentos abaixo e tasque na sua coluna. Se quiser, use mais de um. Você é a estrela.

Uma dica: para sua coluna parecer diversificada, democrática, procure colocar alguns dos argumentos abaixo na boca de “especialistas”. Veja a lista de nossos especialistas no Disk -Fonte e escolha livremente. Se já estiver na hora do fechamento e ninguém atender, ligue para o Demétrio Magnolli, pois esse está sempre à disposição e discorre sobre qualquer assunto. Ele é fera.

E atenção: não se preocupe se o seu concorrente direto anda usando exatamente esses mesmos argumentos há anos. Não importa também se quase todos esses argumentos já foram aniquilados pelos fatos. O importante, em todos os casos, não é citar fatos. O que conta é dar ênfase no argumento. Se você estiver apresentando um telejornal, faça cara de compenetrado. Se for uma coluna, um editorial, carregue no título.

Além da segurança, da facilidade e da comodidade, há várias outras razões para você usar esse manual: 1) você vai parecer erudito; 2) você vai gastar pouco tempo para fechar a coluna; e 3) seu texto irá repercutir muito bem junto ao dono do(a) jornal/revista/TV que você trabalha.

Ao manual:

Se o assunto é: Cotas nas universidades, ação afirmativa, Estatuto da Igualdade Racial

Seus argumentos devem ser:
“Para a biologia, a raça humana é uma só. Logo, não faz sentido dividir as pessoas por raças”
“A política de cotas é perigosa. Irá criar conflitos que não existem hoje no Brasil”
“É uma ameaça à qualidade do ensino, pois os beneficiários não conseguirão acompanhar as aulas”
“Essas iniciativas representam uma ameaça ao princípio de que todos são iguais perante a lei”
“Cotas são ruins para os próprios negros, pois eles sempre se sentirão discriminados na faculdade”

Se o assunto é: Reforma agrária, MST, agricultura familiar

Seus argumentos devem ser:
“Não faz mais sentido fazer reforma agrária no século 21”
“O agronegócio é muito mais produtivo, eficiente, rentável, moderno e lucrativo”
“O Fernando Henrique já fez a reforma agrária no Brasil”
“Se você distribui lotes, o agricultor pega a terra e a vende para terceiros depois”
“O MST é bandido”

Se o assunto é: Bolsa Família

Seus argumentos devem ser:
“O pobre vai usar o dinheiro para comprar TV, geladeira, sofá e outros artigos de luxo”
“O pobre não terá incentivo para trabalhar. Vai se acostumar na pobreza”
“Não adianta dar o peixe, tem de ensinar a pescar”
“O programa não tem porta de saída” (não tente explicar o que é isso)
“O governo só sabe criar gastos”

Se o assunto é: Mortos e desaparecidos políticos, abertura de arquivos da ditadura, revisão da Lei de Anistia

Seus argumentos devem ser:
“Não é hora de mexer nesse assunto”
“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”
“Não é hora de mexer nesse assunto”
“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”
“Não é hora de mexer nesse assunto”

Se o assunto é: Confecom, democratização da comunicação, classificação indicativa

Seus argumentos devem ser:
“Qualquer regulamentação é ruim, o mercado regula”
“É um atentado à liberdade de imprensa”
“Querem acabar com o seu direito de escolha”
“Já tentaram expulsar até o repórter do New York Times, sabia?”
“A classificação indicativa é censura. Os pais é que têm que regular o que seus filhos assistem”

Se o assunto é:A política econômica

Seus argumentos devem ser:
“O governo deveria aproveitar esse período de vacas gordas para fazer as reformas que o Brasil precisa, cortando custos”
“Os gastos e a contratação de pessoal estão completamente fora de controle”
“O país precisa fazer a lição de casa e cortar postos de trabalho”
“Quem produz sofre muito com o Custo Brasil, é necessário cortar custos e investir em infra-estrutura”
“Só dá certo porque é continuidade do governo FHC”

Se o assunto é:Trabalho e capital

Seus argumentos devem ser:
“O que os sindicatos não entendem é que, nesta hora, todos têm que dar sua cota de sacrifício”
“Os grevistas não pensam na população, apenas neles mesmos”
“Sem uma reforma trabalhista que desonere o capital, o Brasil está fadado ao fracasso”
“A CLT é uma amarra que impede a economia de crescer”
“É um absurdo os sindicatos terem tanta liberdade”

terça-feira, 24 de novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Domingo com Beatles - All Together Now

Montagem criativa para a alegre "All Together Now":

sábado, 21 de novembro de 2009

Tendências no Ensino Superior - Classes C e D "bombam"


Matéria do portal iG reproduz dados de pesquisa mostrando a emergência das classes C e D no Ensino Superior.

É o Brasil pagando uma dívida histórica com a maior parte do seu povo...

Em quatro anos, 677 mil estudantes das classes C e D entraram na universidade

Erika Klingl, iG Brasília

Em apenas quatro anos, 350 mil jovens da classe D entraram no ensino superior. São universitários com renda inferior a três salários mínimos, ou seja, R$ 1.400. O número equivale a um crescimento de 84% entre os anos de 2004 e 2008, o maior registrado entre todas as faixas de renda.

No mesmo período, 333 mil estudantes da classe C, de três a cinco salários, também experimentaram pela primeira vez a corrida pelo diploma.

Incapazes de atender a crescente demanda, as instituições gratuitas ficam à margem da democratização econômica do ensino superior. De acordo com estudo da Hoper Educacional, maior consultoria de mercado de ensino superior, 70% dos alunos do setor das instituições privadas concentram-se nas faixas de renda até 10 salários.

O que parece uma ótima notícia deve ser visto com cuidado, de acordo com o professor da Faculdade de Educação da UnB, Remi Castioni. “As avaliações do Ministério da Educação mostram que são essas as instituições que concentram as notas 2 e 3 no Enade. Na minha opinião, existe uma relação entre o baixo preço da mensalidade e a qualidade do ensino. Hoje existem faculdades que cobram R$ 199, como se fossem aqueles comércios baratos de R$1,99”, completa.

PREÇO

A queda no valor da mensalidade é a principal explicação para a entrada dos jovens mais pobres no ensino superior. De acordo com Ryon Braga, presidente da Hoper, em 1996 as mensalidades custavam em média R$ 840 (em valores atualizados). Hoje, a média é de R$ 457.

“O valor caiu pelo metade permitindo que mais alunos fizessem ensino superior”, avalia.

Ryon destaca que o Programa Universidade para Todos, o ProUni, só foi responsável por 5% da expansão. O programa do governo federal troca vagas de faculdades particulares por isenção de impostos. “Mas não acredito que baixo preço queira dizer baixa qualidade. Existem ótimas instituições que cobram pouco dos alunos e instituições ruins que cobram caro.”

Pelo estudo, ainda há margem para crescer. “Considerando que a média de comprometimento de renda familiar com o ensino superior está em torno de 13% da renda, podemos concluir facilmente onde está o maior obstáculo para ampliação da inserção de alunos de menor poder aquisitivo no ensino superior”, cita a conclusão da pesquisa.

Vale destacar que as outras classes econômicas ainda têm grande representatividade no ensino superior mas está perdendo território. A classe A representa 23,3% do alunado do ensino superior privado no Brasil, mas já parou de crescer há quatro anos.

A Classe B com 48,7% deste alunado continua a maior representante do ensino superior privado, mas apresenta crescimento de 29,3% nos últimos quatro anos, bem inferior ao crescimento da Classe C e D. “Se as taxas de crescimento forem mantidas na mesma proporção, no ano de 2012 já teremos mais pessoas das Classes C e D no ensino superior privado do que os representantes das Classes A e B”, completa Ryon.

Michael Jackson - Earth song (Canção da Terra)

Polêmicas à parte, Michael Jackson era um "craque", que aliava o que dizer com imagens de alto impacto. Veja essa versão legendada da poderosa Earth Song.

Tirei do Sátiro, que tirou do Blog do Omar. Diz lá que o clipe foi censurado nos EUA quando do lançamento. Faz sentido...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"El País" analisa a mentira e o mentiroso


Interessante reportagem do jornal espanhol El País, sobre o uso da mentira na sociedade. É extenso, mas vale uma lida...

Todos mentimos, o que muda é a dose

Silvia Blanco, do El País

Se alguém muito entusiasmado lhe der um pastor-alemão de porcelana em tamanho natural no seu aniversário, o mais provável é que você diga "muito obrigado" e sorria como puder. Mesmo que lhe pareça um cachorro absurdo e você esteja maquinando que, para jogá-lo no lixo, o mais prático será quebrá-lo a marteladas.

A um gentil "Como vai?" no elevador do escritório, pouca gente responderia que está muito deprimida porque vai se divorciar, mesmo que seja verdade. Pura sociabilização. Mark Twain mostrou isso claramente em seu sarcástico "A decadência da arte de mentir": "Ninguém poderia viver com alguém que dissesse a verdade de habitualmente; por sorte, nenhum de nós nunca teve de fazê-lo". Ele escreveu isso mais de um século antes que Robert Feldman, professor de psicologia na Universidade de Massachusetts, estabelecesse em seu livro "The Liar in Your Life" [O mentiroso na sua vida] que mentimos entre duas e três vezes em uma primeira conversa de dez minutos com um novo conhecido.

Mentimos porque há público. Porque os outros existem. As relações exigem esse tipo de ficção consentida, quase sempre inofensiva. O psiquiatra Carlos Castilla del Pino, em seu livro póstumo "Conductas y Actitudes" (ed. Tusquets, 2009), afirma que "a vida social exige temperar, isto é, melhorar como pudermos a imagem de nós mesmos diante dos outros".

(...)

Mas há mentiras que crescem demais e atingem o outro extremo da falsidade, a impostura. Para isso é preciso cálculo, vontade de enganar, muita energia, engenhosidade, memória e provavelmente muito tempo. É assim que se consegue ocultar a própria identidade para cimentar uma nova sobre uma mentira. Há grandes diferenças das "mentirinhas", sim, mas o preocupante é que as grandes e gordas mentiras seguem, segundo Castilla del Pino, mecanismos idênticos.

(...)

Não é difícil compreender - embora não se compartilhe nem se aceite - que um político minta para ocultar que roubou dinheiro público ou que recebe um suborno; que um assassino conte um filme mais ou menos verossímil à polícia para tentar demonstrar que não tem nada a ver com aquele cadáver, ou que alguém invente todo tipo de desculpa para manter uma infidelidade. São mentiras instrumentais, têm um objetivo pontual e correspondem aos três principais motores da falsidade: "poder, sexo e dinheiro", indica Catalán.

"Há algo de gratuito e desnecessário nessa impostura, e portanto de criativo", prossegue. "Mente só para ocupar o centro da atenção. Além de natural (no fundo, poucos preferem passar despercebidos a ser protagonistas), essa motivação retém algo do egocentrismo associal da infância, e por isso pode nos fazer sorrir, porque descumpre o primeiro preceito da prudência adulta nesses casos: nunca se deve mentir quando dizer a verdade é mais vantajoso. O problema surge quando a impostura é radical ou vital; quando ocupa o centro da personalidade do sujeito."

O que há por trás de um impostor? Por que ele arrisca tudo por uma invenção aparentemente desnecessária? "Uma insatisfação sobre a própria personalidade que ele tende a compensar de maneira simbólica. No início há uma recompensa imediata, conta-se algo que impressiona os outros em um pequeno âmbito. Mas depois é cada vez mais difícil ser convincente, envolve-se mais pessoas e perde-se o controle", comenta Catalán.


Para ler todo o artigo, clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Veríssimo às quintas


O Apito

Luís Fernando Veríssimo


Tudo o que o Mafra dizia, o Dubin duvidava. Eram inseparáveis, mas viviam brigando. Porque o Mafra contava histórias fantásticas e o Dubin sempre fazia aquela cara de conta outra.

— Uma vez...

— Lá vem história.

— Eu nem comecei e você já está duvidando?

— Duvidando, não. Não acredito mesmo.

— Mas eu nem contei ainda!

— Então conta.

— Uma vez eu fui a um baile só de pernetas e...

— Eu não disse? Eu não disse?

O Mafra às vezes fazia questão de provar as suas histórias para o Dubin.

— Dubin, eu sou ou não sou pai-de-santo honorário?

O Dubin relutava, mas confirmava.

— É.

Mas em seguida arrematava:

— Também, aquele terreiro está aceitando até turista argentino...

Então veio o caso do apito. Um dia, numa roda, assim no mais , o Mafra revelou:

— Tenho um apito de chamar mulher.

— O quê?

— Um apito de chamar mulher.

Ninguém acreditou. O Dubin chegou a bater com a cabeça na mesa, gemendo:

— Ai meu Deus! Ai meu Deus!

— Não quer acreditar, não acredita. Mas tenho.

— Então mostra.

— Não está aqui. E aqui não precisa apito. É só dizer "vem cá".

O Dubin gesticulava para o céu, apelando por justiça.

— Um apito de chamar mulher! Só faltava essa!

Mas aconteceu o seguinte: Mafra e Dubin foram juntos numa viagem (Mafra queria provar ao Dubin que tinha mesmo terras na Amazônia, uma ilha que mudava de lugar conforme as cheias) e o avião caiu em plena selva. Ninguém se pisou, todos sobreviveram e depois de uma semana a frutas e água foram salvos pela FAB. Na volta, cercados pelos amigos, Mafra e Dubin contaram sua aventura. E Mafra, triunfante, pediu para Dubin:

— Agora conta do meu apito.

— Conta você — disse Dubin, contrafeito.

— O apito existia ou não existia?

— Existia.

— Conta, conta — pediram os outros.

— Foi no quarto ou quinto dia. Já sabíamos que ninguém morreria. A FAB já tinha nos localizado. O salvamento era só uma questão de tempo. Então, naquela descontração geral, tirei o meu apito do bolso.

— O tal de chamar mulher?

— Exato. Estou mentindo, Dubinzinho?

— Não — murmurou Dubinzinho.

— Soprei o apito e pimba.

— Apareceram mulheres?

— Coisa de dez minutos. Três mulheres.

Todos se viraram para o Dubin incrédulos.

— É verdade?

— É — concedeu Dubin.

Fez-se um silêncio de puro espanto. No fim do qual Dubin falou outra vez:

— Mas também, era cada bucho!


A crônica acima foi extraída do livro "Outras do analista de Bagé", L & PM Editores - Porto Alegre, 1982, pág. 15.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Existe ou não racismo no Brasil?

Os jovens do núcleo audiovisual do Circo Voador encontraram provas evidentes de racismo nos bancos.

O vídeo é uma pancada na hipocrisia reinante em alguns ambientes...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Para entender um pouco de Economia...


Dica do Bruno Rabelo

ENTENDENDO A ECONOMIA

Um viajante chega numa cidade e entra num pequeno hotel.

O mesmo saca duas notas de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

Enquanto o viajante inspeciona os quartos , o gerente do hotel sai correndo com as duas notas de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

Este pega as duas notas e vai até um criador de suínos a quem, coincidentemente, também deve R$ 200 e quita a dívida.

O criador, por sua vez, pega também as duas notas e corre ao veterinário para liquidar uma dívida de... R$ 200.

O veterinário, com a duas notas em mãos, vai até a zona quitar a dívida com uma prostituta. COINCIDENTEMENTE, a dívida era de R$ 200.

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, às vezes, levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações. Valor total da dívida: 200 reais. Ela avisa ao gerente que está pagando a conta e coloca as notas em cima do balcão.

Nesse momento, o gringo retorna dos quartos, pega as duas notas de volta, agradece e diz não ser o que esperava, saindo do hotel.

Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem dívidas e com o crédito restaurado, e começa a ver o futuro com confiança!


MORAL DA HISTÓRIA:


NÃO QUEIRA ENTENDER ECONOMIA

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Comerciais incríveis - Tiger Beer

Enviado pelo Flávio Saêta:

Ótima!

Caro Professor José César, tomei a liberdade de lhe enviar o vídeo abaixo. talvez até ja tenha visto mas achei SHOW de bola e muito criativo, mais um de cerveja ....

Grande abraço




O comercial é da agência Saatchi & Saatchi e foi produzido para a cerveja Tiger na Malásia;

Red Hot traduzido para o português

Brincadeira divertidíssima e imperdível com a música Otherside, do Red Hot Chili Peppers.

Haja criatividade!!!

domingo, 15 de novembro de 2009

Lista de coisas que não sabemos ou não lembramos


Enviada pelo Orlando Filho, algumas listas bem interessantes

Os Três Reis Magos:
. O árabe Baltazar: trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus.
. O indiano Belchior: trazia ouro, significando a sua realeza.
. O etíope Gaspar: trazia mirra, significando a sua humanidade.

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo:
1 - As Pirâmides do Egito
2 - As Muralhas e os Jardins Suspensos da Babilônia
3 - O Mausoléu de Helicarnasso ( ou O Túmulo de máusolo em Éfeso )
4 - A Estátua de Zeus, de Fídias
5 - O Templo de Artemisa (ou Diana)
6 - O Colosso de Rodes
7 - O Farol de Alexandria.

As 7 Notas Musicais
A origem é uma homenagem a São João Batista, com seu hino :

Ut queant laxis (dó) Para que possam
Re sonare fibris ressoar as
Mi ra gestorum maravilhas de teus feitos
Fa mulli tuorum com largos cantos
Sol ve polluit apaga os erros
Labii reatum dos lábios manchados
S ancti Ioannis Ó São João

Os Sete Pecados Capitais
(Eles só foram enumerados no século VI, pelo papa São Gregório Magno (540-604), tomando como referência as cartas de São Paulo)
. Gula
. Avareza
. Soberba
. Luxúria
. Preguiça
. Ira
. Inveja

As Sete Virtudes
(para combater os pecados capitais)
. Temperança (gula)
. Generosidade (avareza)
. Humildade (soberba)
. Castidade (luxúria)
. Disciplina (preguiça)
. Paciência (ira)
. Caridade (inveja)

Os Sete dias da Semana e os 'Sete Planetas'
Os dias, nos demais idiomas- com excessão da língua portuguesa , mantém os nomes dos sete corpos celestes
conhecidos desde os babilônios:
. Domingo - dia do Sol
. Segunda - dia da Lua.
. Terça - dia de Marte
. Quarta - dia de Mercúrio
. Quinta - dia de Júpiter
. Sexta - dia de Vênus
. Sábado - dia de Saturno

As Sete Cores do Arco-Íris:
Na mitologia grega, Íris era a mensageira da deusa Juno. Como descia do céu num facho de luz e vestia um xale de sete cores, deu origem à palavra arco-íris. A divindade deu origem também ao termo íris, do olho.
. Vermelho
. Laranja
. Amarelo
. Verde
. Azul
. Anil
. Violeta

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tendências na rede - Galerias Virtuais

Enviada por: Patrícia Soares

Em primeiro lugar achei muito interessante o seu blog... gostei!

E segundo , vagando pela internet encontrei um linha interessante de mercado que está surgindo ... as galerias virtuais, de acordo com a reportagem tornam o preço das peças de arte mais acessível e atinge um público muito maior!

Será que essa tendência de lojas virtuais chegará ao ponto de atingir um mercado tão abrangente ao ponto das pessoas não mais se locomoverem? Acho assustador a idéia de isolamento... o melhor da arte é a interação, público/público e público/artista, é o lado humano!!! Bom, é uma idéia a se refletir! Tá aí uma sugestão!

Bom fim de semana!


Comentário: A questão central é a mesma que envolve o ensino a distância, as compras on line, a busca da informação e todo o resto: será que a mudança de hábitos representada pelo acesso aos ambientes virtuais vai melhorar ou piorar a nossa vida?

As gerações novas não têm tal dúvida, pelo acesso ao computador desde a primeira infância. O "problema" está na cabeça nossa, daqueles que precisam se inserir nesse ambiente ao mesmo tempo ameaçador e cheio de oportunidades.

Como sempre, as perguntas são mais importantes do que as respostas.

Abraço e obrigado pela dica, Patrícia!


Galerias virtuais facilitam acesso e popularizam a arte na rede

Edson Lovatto 13/11/2009

Colaboração para o UOL

Obras de arte sempre foram consideradas complexas e inacessíveis demais para a maioria da população. A situação mudou e principalmente as manifestações urbanas - como o grafite e a toy art - já conseguem atrair olhares bem mais receptivos. E esta mudança já se reflete na Internet. Hoje, já há algumas boas opções de galerias virtuais que disponibilizam materiais de qualidade e - o que é melhor - a preços não tão assustadores ao bolso do consumidor.


Trabalhos dos ilustradores Samuel Casal (e), Kako (c) e Leo Gibran (d): criada este ano, a galeria Magenta aposta na variedade de estilos para conquistar o público jovem


O mais recente exemplo e que reforça esta tese é a inauguração da Galeria Motor, no começo do mês, em São Paulo. Primeira galeria virtual no país a contar com uma grande estrutura de e-commerce, o espaço oferece cerca de 170 trabalhos de 80 artistas - entre esculturas, fotografias, gravuras, objetos, pinturas e toy art - a preços convidativos e outros nem tanto - uma lâmpada de Jérôme Florent custa R$ 200, ao passo que uma pintura de Ana Sario não sai por menos de R$ 8 mil. O pagamento pode ser feito em até seis vezes sem juros no cartão. "Trabalhamos com dois grupos de artistas: os consagrados, que fazem obras múltiplas com tiragens que chegam a mil cópias para gravuras e fotografias, e os jovens artistas, que têm oportunidade de divulgar a sua arte", explica Alexandre Roesler, 39, diretor da Motor. "Queremos educar o olhar da população para a arte contemporânea e formar novas gerações de jovens colecionadores e apreciadores".


Já o site Urban Arts é outro caso recente que está dando certo. O projeto começou em maio deste ano e oferece trabalhos de 49 artistas plásticos, ilustradores e designers de todo o país, como Minas Gerais, Santa Catarina, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Há produtos de, em média, R$ 50 (pôsteres enrolados) até os canvas montados (artes impressas em tecido) por R$ 1.500. "O que mais vende são os pôsteres com temática pop, como os que fazem referência a bandas de música, tendências de moda, filmes e arte retrô. Já chegamos a vender cerca de cem pôsteres em um mês", comemora a artista e curadora Luciana Abrão, 24. "Nosso público é o jovem empresário que quer decorar seu apartamento, sua casa na praia. Pessoas que querem ter acesso a artes descoladas, modernas e com preço acessível."

Outra galeria virtual inaugurada em 2009 é a Magenta, que surgiu após o desejo de um grupo de amigos ilustradores de divulgarem seus trabalhos mais "autorais". "A ideia é que os artistas produzam sem briefing (roteiro do trabalho). São artes que nascem da disposição, da vontade e inspiração. É o que os artistas fazem nas horas vagas e não refletem o ponto de vista dos clientes rotineiros", explica Fernanda Guedes, 44, administradora do site.

Depois de um período de testes para monitorar eventuais falhas e instabilidades na página, com a exposição de artes de somente dois profissionais, a página hoje conta com um time de oito ilustradores fixos. Apesar do bom momento, a galeria tem pretensões assumidamente modestas. "Não queremos ser grandes. Chego a recusar o pedido de ingresso de dois artistas por dia. Até o fim deste ano, devemos ter dez artistas e é bem possível que esse também seja o número para o próximo ano, a não ser que apareça alguém muito bom e diferente", adianta Fernanda. Na Magenta, uma cópia digital de Zé Otávio sai por R$ 27. Na outra ponta da tabela, um original de Carlo Giovani sai por R$ 5.700.



Artes de Elisa Sassi (e) e Luciana Abrão são comercializados na galeria Urban Arts, que se volta para a divulgação de trabalhos com temática pop

Para ler o restante, clique aqui.

Quer aprender como se faz um bebê?

Tirada da TV UOL:

Como fazer um bebê

A receita é simples: pegue duas pessoas, adicione um pouco de ar e..boom! Nasceu o bebê. Brincadeira muito criativa do casal de São Francisco, nos Estados Unidos, que fotografou todo o período de gestação.

Simon & Garfunkel - The Sound of Silence

Em termos musicais, acredito que nenhuma geração foi tão afortunada quanto a nascida nos anos 60 (da qual faço parte, com muita satisfação).

Crescer ouvindo Beatles, Mamas and Papas, Jethro Tull, Simon & Garfunkel, Carpenters, Bee Gees, Pink Floyd, Yes, Pete Townshend, Genesis, Cat Stevens e tantos outros produz marcas profundas no gosto musical de qualquer indivíduo.

No vídeo abaixo, uma interpretação intimista dos então garotos Simon & Garfunkel, para a maravilhosa “The Sound of Silence”, com legendas.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Veríssimo às quintas


A aliança

Luís Fernando Veríssimo


Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa - diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível.

— Pois é. Eu...

— SEU CRETINO!

— Meu bem...

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem...

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi tratar do jantar.



Texto extraído do livro "As mentiras que os homens contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 37.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Filmes inesquecíveis - Hair (1979)

Em 1979, o diretor tcheco Milos Forman filmou o musical “Hair”, baseado numa peça teatral de muito sucesso desde o final dos anos 60.

Bela estória de tolerância e aceitação das diferenças, abordando o universo da contracultura em plena época da guerra do Vietnã. A trilha musical é fantástica, com destaque para Aquarius, abaixo em versão legendada.


sábado, 7 de novembro de 2009

Lembrando: Yes - Soon (1975)

Para aqueles que viveram os anos 70 e aqueles que não tiveram a a chance, vejam a maravilhosa versão ao vivo de Soon da banda inglesa Yes, parte da música "The Gates of Delirium", do álbum Relayer. Steve Howe (instrumentos) e Jon Anderson (vocal) num dos grandes momentos do rock progressivo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Cenas de cinema em "Allez L'Amour", com Ludéal

Direto do site "Bombou na Web":

É quase um teste de memória o que fez o cantor Ludéal no clipe da música Allez L’Amour (algo como “Vamos amar”). Em um só take - sem cortes, portanto - ele representou momentos de amor explícito no cinema. Quais? Alguns são óbvios, como Ghost e Brokeback Mountain. Outros… Nem tanto. E eu não vou ficar aqui estragando a brincadeira. Alguém arrisca uma lista completa? Só uma dica: A primeira é a única fora do cinema. (Escrito por Rafael Pereira)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Veríssimo às quintas - Sobre as pessoas



"Uma pessoa é uma coisa muito complicada. Mais complicada do que uma pessoa, só duas. Três, então, é um caos, quando não é um drama passional. Mas as pessoas só se definem no seu relacionamento com as outras. Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é(...) Ou seja, ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro."

Luiz Fernando Veríssimo

Copiado do blog "Boca no Trombone"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Carta Aberta ao Bradesco



Continuando a saga contra o estupro contínuo dos bancos sobre nós, consumidores, repasso uma carta super criativa, dirigida ao Bradesco mas extensível a todos os bancos da praça. Até quando os direitos dos consumidoes vão ser tão pouco considerados pelos órgãos de controle da atividade financeira???

Esta carta estava num material de estudo do ensino médio a que tive acesso. Tomara que as novas gerações já se emancipem conscientes do que devemos mudar na economia e na sociedade.

CARTA ABERTA AO BRADESCO

Escrito por Katia Alves, postado em 12 de agosto de 2008.

Senhores Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia. Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante. Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade. Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas. Uma 'taxa de acesso ao pãozinho', outra 'taxa por guardar pão quentinho' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco. Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri. Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar. Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco. Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura da padaria', pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como papagaios'. Para liberar o 'papagaio', alguns gerentes inescrupulosos cobravam um 'por fora', que era devidamente embolsado. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos. Agora ao invés de um 'por fora' temos um 'por dentro'.

Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.

Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 'para a manutenção da conta' semelhante àquela 'taxa pela existência da padaria na esquina da rua'.

A surpresa não acabou:

Descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo - semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quentinho'. Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.

Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria.

Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central. Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados. Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, tais taxas são uma imoralidade.


'O MAIOR CASTIGO PARA AQUELES QUE NÃO SE INTERESSAM POR POLÍTICA É QUE SERÃO GOVERNADOS PELOS QUE SE INTERESSAM' (Arnold Toynbee)

Queen - "Love of my life"

Da série "músicas que mrcaram minha vida": Love of My Life, do fantástico álbum A Night at the Opera, com Brian May arrasando no violão e um Freddie Mercury no auge.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Grandes cenas do cinema - John Travolta e Uma Thurman em "Pulp Fiction"

Um dos grandes momentos do cinema, a cena de dança de Uma Thurman e John Travolta no filme "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino. A música é You Never Can Tell de Chuck Berry.

Uma viagem!!!

Humor: O causo mineiro

Estou postando, a pedidos, o "Causo Mineiro", muito citado em aula pela sabedoria da raça, que tenta sempre saber "concossô, doncovim, nonkotô e proncovô".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tico Tico no Fubá - A quatro mãos

Uma fantástica apresentaçaõ do Duo Siqueira Lima fazendo uma maravilhosa e impressionante interpretação de uma das músicas mais belas do Brasil, Tico tico no fubá de Zequinha de Abreu.

Comerciais inesquecíveis: Stratos - Precisa-se de um parceiro

"Aula de estratégia" neste comercial inglês do chocolate Stratos, com uma ótima trilha sonora. O garotinho precisava de um parceiro para o futebol, e conseguiu...

Veja como:

domingo, 1 de novembro de 2009

Artigo: Aposte no marketing de baixo custo


Uma fonte segura de informações de marketing que são publicadas na mídia é o site mercadocompetitivo.com.br, do professor Abigar Holanda Júnior. Ele faz uma pesquisa nos meios de comunicação e disponibiliza no site, além de permitir um cadastro gratuito para que ele envie um e-mail com um clipping de notícias.

No clipping que ele enviou hoje, há um texto muito interessante da revista "Pequenas Empresas, Grandes Negócios", cujo início transcrevo abaixo, com dicas simples para que as pequenas empresas façam marketing de guerrilha.

Vejam lá:

APOSTE NO MARKETING DE BAIXO CUSTO
Pequenas Empresas & Grandes Negócios 02/08/2009


Enquanto a concorrência se esconde, aproveite para dar as caras
Por Wagner Roque

Em momentos de aperto econômico, como o atual, o marketing das empresas costuma ser jogado para segundo plano. Eis um grande equívoco, dizem os especialistas. 'Justamente em períodos de contenção de despesas, quando a maioria dos empresários se esconde, é que se deve divulgar o negócio', afirma José Eduardo Balian, professor de finanças da ESPM. 'Está aí a grande chance de se diferenciar da concorrência.'

Nem pense em gastar todas as suas reservas nos tradicionais anúncios publicitários. Aposte no marketing de baixo custo. Execute táticas que envolvam mais a criatividade do que o dinheiro. 'Com menos de R$ 10.000, valor que uma pequena empresa chega a gastar por mês para aparecer em jornais e revistas regionais, pode-se criar uma infinidade de ações', diz Roberto Calderón, da agência de marketing ABCZ, focada em pequenas e médias empresas. A seguir, você encontrará 40 estratégias de baixo custo elaboradas com a ajuda de especialistas em marketing. Em 15 dos casos, a ação sai de graça.

1>>>DIVULGUE SEUS PONTOS FORTES (Grátis)
Muitas empresas não percebem que já têm em mãos um material eficiente para melhorar o seu marketing. Elas possuem características que as diferenciam no mercado, mas não as ressaltam em sua comunicação. A Artmix, empresa paulista que vende e personaliza capacetes desde 1986, conseguiu dar novo gás aos negócios quando, em 2006, resolveu valorizar a segurança oferecida por seus produtos, entre outras ações. 'Somos distribuidores exclusivos no Brasil da Arai, a melhor marca mundial de capacetes', diz Bruno Theil. Deu tão certo que, em 2008, as vendas da Artmix aumentaram 10%.

2>>> SEJA ÚNICO
Eis uma alternativa para você mostrar que a sua empresa não é apenas mais uma no ramo: venda produtos com a sua própria marca. Quem não dispõe de estrutura para isso pode optar por terceirizar a fabricação. Vale, por exemplo, para quem vende cosméticos, roupas e alimentos. É fundamental contar com fornecedores de confiança e usar matéria-prima de qualidade.

3>>>PROMOVA ATIVIDADES EXTERNAS
Desde 1998, quando montou a Blue Bike, loja paulistana de bicicletas e acessórios para ciclistas, o empresário Marcelo Jorge promove semanalmente passeios ciclísticos. Um vez por mês, a turma faz trilhas em cidades vizinhas. 'Chego a reunir 500 pessoas de cada vez. Tem sempre gente nova no grupo e a maioria vira cliente', diz.

4>>>ACREDITE NO MARKETING DE GUERRILHA
A ideia é criar ações chamativas que causem impacto no dia-a-dia das pessoas. Um exemplo foi a tática desenvolvida pela agência ABCZ para a marca de calçados Senso Shoes. Durante uma semana, cinco lindas modelos passearam pelas ruas próximas a duas lojas da marca em São Paulo. Elas carregavam sacolas enormes com o logo da Senso Shoes e calçavam os sapatos da nova coleção da grife. Custo total: R$ 10.000. 'Foi uma excelente relação custo-benefício, já que as vendas aumentaram 47% e não caíram mais', diz Roberto Calderón, da ABCZ.
A dica acima sobre Marketing de Guerrilha está muito simplista, pois este tipo de ação envolve muitas ferramentas e é muito poderosa. O nosso colunista Jay conrad Levinson, o papa do marketing de guerrilha propõe muitas ideias interessantes em seus artigos publicados em nosso site.


Para acessar todo o artigo, com as outras 36 dicas, clique aqui.

Domingo com Beatles - There's a Place

Boa música, boa letra e belas imagens. John, Paul, George e Ringo cantam There's a place (Há um lugar):

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Grandes comerciais - Cerveja Schin

Excelente comercial criado pela agência Young & Rubican para a Nova Schin. O filme abre com um rapaz saboreando uma Nova Schin, enquanto imagina o que aconteceria se ele ligasse para tudo o que as pessoas dizem....

Vale para tudo na vida, pois como diz o mineirinho, se eu não sei "onkotô, koncossô e proncovô", eu me presto a todo tipo de manipulação.

Grande sacada e ponto para a Schin!

Veríssimo às quintas - A famosa Samanta


― Finalmente vou conhecer a famosa Samanta... ― disse Gustavo.

― Você vai amar a Samanta, Gu! ― disse Suzaninha.

Suzaninha não parara de sorrir desde que recebera o telefonema da irmã dizendo que chegaria no dia seguinte e ficaria com eles. Samanta não era apenas sua irmã mais velha. Era o seu ídolo. Gustavo já cansara de ouvir as histórias de Samanta que Suzaninha contava um brilho nos olhos. Gustavo não estava em casa quando Samanta chegou. Suzaninha abraçou a irmã, emocionada. Samanta afastou-a, examinou-lhe o rosto e a roupa e decretou:

― Você está péssima.

― Você está linda!

― Esse seu marido não cuida de você, não?

― Cuida. Ele é formidável. Você vai ver.

E depois:

― Você vai amar o Gustavo, Sam!

Samanta dormiria numa cama de armar na salinha do computador do Gustavo. Depois de examinar o apartamento com uma leve expressão de desencanto, Samanta atirou-se numa poltrona, aceitou uma bebida. Depois um relatório de casa, onde continuava tudo a mesma merda. A novidade era ela. Samanta tinha um plano.

― Suzaninha, decidi ter um filho.

― O quê?!

― Um filho. Você sabe, aquelas coisas que saem de dentro da gente e fazem barulho.

― Mas assim, sem mais nem menos?

Suzana queria dizer "sem casamento nem marido?"

― Sem mais nem menos, não. Será uma coisa muito bem planeada. Para começar, preciso encontrar o homem ideal. É para isso que estou aqui.

― Não era você que dizia que homem só serve para carregar peso?

― E segurar a porta. Mas reavaliei meus conceitos. Também servem como reprodutores, até que inventem coisa melhor.

Samanta pôs-se a descrever o homem que procurava. O físico. O temperamento. O jeito de ser. O posicionamento político ("De esquerda, mas não muito"). E quanto mais Samanta falava, mais Suzaninha sentia um vazio no estômago. Não havia como evitar a conclusão aterradora: Samanta procurava um homem como Gustavo. E Samanta sempre conseguia o que queria. Quando Samanta disse "Mas, me fale sobre você", Suzana já tinha decidido o que fazer. E quando Samanta comentou não podia esperar para conhecer o famoso Gustavo, disse:

― Eu me esqueci. Hoje ele tinha médico.

― Médico? Algum problema?

― Nada demais. Quer dizer, é chato mas...

― Suzeca. Não me diz que...

Suzaninha fez que "sim" com a cabeça. Sim, era o que Samanta estava pensando.

― Disfunção eréctil.

― Suzaninha! Mas hoje existem esses remédios...

― Nada funciona com o Gustavo.

Quando Gustavo chegou, deu com as duas irmãs abraçadas no sofá, Samanta acariciando a cabeça de Suzaninha e dizendo:

― Suzeca, Suzeca...

Durante o jantar, Suzaninha viu Samanta examinando Gustavo e pensou: "Ela deve estar pensando ele é tudo que eu queria, mas não serve, maldição, não serve, pobre da Suzaninha."

E Samanta, examinando Gustavo, pensou "Hmmm, essa disfunção eréctil eu curo, ah se não curo". Pois Samanta não apenas descobrira o reprodutor que queria, também descobrira outra causa nobre. Suzaninha ainda lhe ia ficar grata.



Luis Fernando Veríssimo, in "Crônicas Selecionadas do Estadão"