segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da leitura de confirmação da nossa "velha opinião"

Uma olhada atenta nos comentários às postagens dos diferentes blogs que costumo acessar mostra invariavelmente a mesma realidade: não importa qual seja o assunto do “post”, ele vai servir para os comentadores exercerem sua condição de torcedores, e não de analistas.

Estabelece-se quase que imediatamente um clima de “Fla-Flu”, onde os argumentos rapidamente cedem lugar às baixarias e ofensas pessoais, não importando a posição da pessoa no espectro ideológico, seja de direita ou esquerda.

O jornalista Luis Nassif já vem denunciando há tempos o que ele chama de jornalismo de esgoto, que é a resposta de parte da mídia a essa compulsão dos leitores para a “baixaria” como compensação para a falta de argumentos. Os preconceitos vêem à tona com muita facilidade, estimulados em parte pela falta de experiência de exercício da cidadania e também pelo estímulo que o (aparente) anonimato parece proporcionar.

Com relação a esse assunto, o jornalista Nicholas D. Kristof, do jornal The New York Times elaborou interessante matéria intitulada “O Eu diário” (em inglês, no original, The Daily Me), onde aparece o seguinte trecho:

“(...)E o público está buscando cada vez mais suas notícias, não nas redes de televisão abertas ou na imprensa escrita, mas garimpando online.

Quando vamos para a internet, cada um de nós se torna seu próprio editor, seu próprio vigia. Nós selecionamos o tipo de notícia e de opiniões que mais nos interessam. (...)

É por isso que há excelentes evidências de que nós geralmente não queremos de fato boa informação – mas, antes, informação que confirme nossos preconceitos. Podemos acreditar intelectualmente no choque de opiniões, mas, na prática, gostamos de nos abrigar no útero reconfortante de uma câmara de eco.”


A internet coloca cada um de nós em contato com um mundo onde as velhas certezas e soluções não têm resolvido os novos problemas. Uma forma de lidar com isso é o que vemos nessa chamada “leitura de confirmação” do que acreditamos e de rejeição antecipada da divergência. Outra é realmente exercitar a mente e o cérebro na análise dos argumentos do outro, seja ele quem for. Inclusive para continuar discordando...

Lembrando Albert Einstein: “A mente que se abre para uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original”

Para ler a reportagem citada, extraída do “Estadão” de 23/03/09, clique aqui.

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