
O provocador Chris Anderson, editor da revista Wired e autor do livro "A Cauda Longa", volta à carga com uma nova obra, intitulada "Free" (livre, em português). Sua idéia central é a inevitabilidade do crescimento dos negócios baseado no grátis. Para ele, ninguém vai querer pagar por algo que pode conseguir gratuitamente, como notícias, música ou vídeo. Consequentemente, querer cobrar por isso não tem como dar certo.
Vamos tratar bastante desse assunto em posts futuros, pois muitos modelos de negócio, tanto dentro como fora da internet estão e continuarão sendo fortemente impactados por ele.
A seguir, trecho da entrevista de Chris Anderson à revista alemã Der Spiegel:

(...)
Spiegel: Quais palavras você usa?
Anderson: Não há outras palavras. Estamos numa daquelas épocas estranhas em que as palavras do século passado não têm mais significado. O que notícia significa para você, quando a maior parte das notícias é criada por amadores? São as notícias vindas de um jornal, de um grupo de discussão ou de um amigo? Eu simplesmente não consigo pensar numa definição para essas palavras. Aqui na Wired (revista da qual ele é editor), nós paramos de usá-las.
Spiegel: Espere um minuto. Os chamados jornalistas cidadãos e blogueiros mudaram o significado da palavra "mídia". Mas sem os meios de comunicação tradicionais eles não teriam muito a fazer na verdade. A maioria dos amadores comenta o que a imprensa de qualidade informa. A pergunta é: você leu um jornal hoje de manhã?
Anderson: Não.
Spiegel: Então como você se mantém informado?
Anderson: A informação surge de muitas formas: pelo Twitter, aparece no meu inbox, na minha base de RSS, através de conversas. Eu não saio procurando por ela.
Spiegel: Assim como milhões de pessoas confiavam na mídia tradicional.
Anderson: Se aconteceu alguma coisa importante no mundo, eu vou ficar sabendo. Fico sabendo dos protestos no Irã antes de eles aparecerem nos jornais porque as pessoas que eu acompanho no Twitter se preocupam com essas coisas.
Spiegel: O New York Times, a CNN, a Reuters e outros podem publicar suas melhores reportagens na internet que você nunca as lê?
Anderson: Leio muitos artigos da mídia tradicional, mas não a procuro diretamente para lê-los. Eles chegam até mim, o que é muito comum nos dias de hoje. Cada vez mais pessoas estão escolhendo filtros sociais para ler as notícias em vez de filtros profissionais. Estamos nos desligando das notícias da televisão, dos jornais. E ainda assim ficamos sabendo das coisas importantes; só que não é mais aquela saraivada de notícias ruins. São notícias que importam. Acho que no momento em que algo chega até mim é porque foi avaliado por pessoas em que eu confio. Então as bobagens que não importam não vão chegar até mim.
Spiegel: Mas você também pode descrever o fluxo infinito de palavras que vêm do Twitter como bobagem. Limitadas aos 140 caracteres, as mensagens do Twitter resultam numa impressão maluca, sem filtros nem comprovação, do que está acontecendo. As mensagens do Twitter não podem ser nenhum tipo de substituto para as reportagens e análises rápidas, abrangentes e bem fundamentadas da mídia de qualidade. E com todo o respeito, você mesmo produz esse tipo de informação. Você é um membro da mídia noticiosa, você trabalha para uma revista, faz entrevistas e cria notícias - ou informação, ou conteúdo, ou qualquer seja o nome que queira dar a isso.
Anderson: É verdade. Mas o problema não é que a forma tradicional de escrever não vale mais. O problema é que isso hoje é a minoria. Costumava ser um monopólio, costumava ser a única forma de distribuir notícias.
Para ver toda a entrevista, clique aqui.
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